O Instituto Pólis é uma ONG (Organização Não Governamental) de atuação nacional e internacional. Fundado em 1987, o Pólis atua na construção de cidades justas, sustentáveis e democráticas, por meio de pesquisas, assessoria e formação que resultem em mais políticas públicas e no avanço do desenvolvimento local.

Refugiados desconstroem estereótipos ocidentais sobre a África

Refúgio Artístico PJMC
Cidadania Cultural, Convivência e Paz, Democracia e Participação, Formação, Juventudes
9 de fevereiro de 2017

Encontro trouxe cinco pessoas em situação de refúgio para conversar com a juventude do Programa Jovem Monitor Cultural do Instituto Pólis

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Ejike Nzube ensinando jovens do PJMC danças nigerianas

O continente africano é formado por 54 países e mais de 800 milhões de habitantes. Luanda, Alexandria, Cairo, Lagos, Joanesburgo são algumas das regiões metropolitanas de países da África. Considerado como o berço da humanidade, o continente também foi palco de grandes civilizações como Egito, Meroé, Axum, Congo, Monomotapa e Songhay, entre outras.

Para Jean Katumba, da República Democrática do Congo, a África é provavelmente a região do mundo onde a situação linguística é a mais diversificada, com mais de 2.000 línguas, aproximadamente 30% da quantidade de línguas no mundo. Natural da Nigéria, Ejike Nzube garante que quando uma pessoa abre a boca em seu país “eu já sei de qual tribo ela é”. Em seu país, existem 300 tribos com “apenas” 521 línguas.

Na contramão, o pensamento ocidental carregado de racismo e preconceitos tem a visão estereotipada de que a África consiste em “um país gigante”, onde há somente pobreza, caos e conflitos. Tal interpretação traz como solução a colonização, ou a neocolonização: a ajuda sagrada branca, a ideia de desenvolvimento da civilização ocidental. No entanto, o nigeriano afirma que a situação é bem diferente: “Temos tudo lá, temos comida, temos ouro. Se as pessoas ficam pobres é por causa da política. Aqui [no Brasil] também há corrupção”, pontua. Jean Katumba coloca que desde que chegou ao Brasil, considera-se mais africano do que congolês, revelando a generalização ocidental de África como um único país.

Esse momento de partilhas acerca do continente africano aconteceu dentro do LabCult (laboratório de experimentações culturais) do Programa Jovem Monitor/a Cultural, organizado por jovens participantes do Programa. O grupo teve como missão abordar a situação de pessoas em situação de refúgio em São Paulo. essa 3

Segundo a Agência da ONU para Refugiados, a lei de refugiados no Brasil “garante documentos básicos aos refugiados, incluindo documento de identificação e de trabalho, além da liberdade de movimento no território nacional e de outros direitos civis”. O país tem aproximadamente 9.000 pessoas em situação de refúgio reconhecidos. Entre 2010 e 2015, o número de solicitações de refúgio aumentou mais de 2.868%. A maioria é da África, Ásia, Oriente Médio, e Caribe.

Katumba afirma que alguns países da África ainda “não são mestres” em democracia. Por causa disso, em muitos países, há intensa perseguição política. Sair do país significa salvar a própria vida. Ele ainda lembra, “eu não sou refugiado, eu estou refugiado!’”.

Para Lara Elisabethe, de Moçambique, um grande problema é lidar com as dificuldades no reconhecimento de diplomas e graduações. “Situação que dói e tira a dignidade. É uma perseguição moral que machuca”. Suzzane Tcham, do Camarões, advogada em seu país, aqui trabalha como empregada doméstica. Ela diz que ficou frustrada com as pessoas em situação em rua: “No Camarões não se vê pessoas morando nas ruas”.

Para Beatriz Andrade, jovem monitora cultural, o encontro desconstruiu muitas barreiras. Para ela, a principal chave disso tudo é informação. “É uma quebra de estereótipo que agora eu posso ajudar a disseminar. Eu queria que todas as pessoas tivessem acesso às informações dessas realidades”, termina.

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