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Início / Escola da Cidadania » Rede de Educação Popular - Atividades 2009 » Seminário: chr34Educação Popular e formação de educadores em projetos sociaischr34 » Apresentação
O projetos sociais são transformadores?

Esta é a polêmica que atravessou os debates do seminário "Educação Popular e a formação de educadores sociais", organizado pela Rede de Educação Popular de São Paulo, no dia 13 de maio, no Instituto Polis. Participaram aproximadamente 100 educadores de dezenas de organizações, entidades e movimentos, que tem na Educação Popular um referencial para a sua atuação em projetos e políticas sociais. A pergunta que se colocou é: em que medida os projetos sociais afirmam direitos e tem potencial de transformação ou são mera execução de serviços públicos terceirizados?
O Seminário colocou em questão as possibilidades da educação popular contribuir para que os projetos sociais se vinculem a políticas públicas e à afirmação de direitos. Entende-se aqui por projetos sociais, os convênios estabelecidos entre organizações da sociedade civil e o Estado, para execução de políticas sociais.
Marilda dos Santos Lima, supervisora pedagógica do Centro Nossa Senhora do Bom Parto, propiciou uma viagem na história recente, ao relembrar-nos de como a pedagogia da educação popular atravessou a prática das comunidades eclesiais de base, do movimento popular e sindical, das lutas por direitos e políticas públicas. A Educação Popular enfatiza que o aprendizado se dá na relação com as pessoas, com os processos. No reconhecimento do outro como sujeito importante no nosso aprendizado. “O aprendizado tem essa complexidade”, afirma e não se restringe simplesmente a apreensão de conteúdo.
“Estas lutas foram um processo de construção da consciência”, lembra Marilda, recordando os movimentos populares que lutaram por educação, saúde, creches, os direitos da crianças e adolescentes. Destas reivindicações e conquistas nasceram “o que hoje chamamos de políticas públicas”. Nas políticas públicas os oprimidos ganham um rosto. “Antes o oprimido não tinha rosto. Hoje tem rosto: a criança, o adolescente, o idoso”, continua. A educação popular sempre permeou estas lutas e a conquista de direitos.
A luta pelas políticas públicas levou entidades e movimentos sociais para a execução de políticas sociais, através de convênios com os órgãos públicos ou instituições privadas. Diante o risco de que projetos sociais se transformem em serviços terceirizados executados pela sociedade civil, onde o Estado se desresponsabiliza com as políticas sociais, Marilda diz que “os convênios devem ser uma estratégia para conquistar e garantir direitos”. “Estes espaços não devem ser menosprezados. Na prática é a gente que está lá, não é aquele que financia”, e continua dizendo, que deve ser dado um sentido transformador ao trabalho, fazendo com que os “sujeitos oprimidos” assumam o seu protagonismo.
Na mesma perspectiva Raiane Patrícia Severino Assumpção, assessora pedagógica do Centro de Direitos da Criança e do Adolescente Paulo Freire, destaca a importância da educação popular para a formação política dos educadores que trabalham em projetos sociais, a partir do Estatuto da Criança e Adolescente, da afirmação dos direitos da Criança e Adolescente. Os educadores sociais com esta perspectiva é que podem garantir com que o trabalho em projetos sociais tenha a perspectiva de fazer da Criança e do Adolescente, filho da classe trabalhadora excluída, sujeito de direito, capaz de pensar e orientar a sua própria vida.
A perspectiva transformadora dos projetos sociais poderá ser potencializada pela Educação Popular, na medida em que estes se vinculem às lutas por direitos e políticas públicas. A potencialidade transformadora da educação popular tem na relação com a ação concreta sobre a realidade o seu terreno fértil. Os esforços da educação popular são mais potentes nos espaços onde já existe uma luta de transformação social. Neste sentido, Daniel Augusto de Figueiredo, educador do Instituto Paulo Freire e debatedor no seminário, diz que “o espaço da educação popular é fundamentalmente o espaço do movimento social”, pois é ele que tem força política para a transformação social.
O Seminário mostrou mais uma vez o grande interesse que o tema da "Educação Popular" têm despertado em educadores que trabalham no meio popular, especialmente nos mais jovens.
Na parte da tarde, a Rede de Educação Popular proporcionou a realização da oficina "Teatro do Oprimido", com a participação de 40 educadores. Além de homenagear o seu criador, Augusto Boal, que há poucos dias partiu deixando um importante legado de compromisso com a luta dos oprimidos, a oficina foi um momento de vivência, conhecimento e apropriação do seu instrumental.
A metodologia do Teatro do Oprimido é um instrumental que propõem criar situações baseadas na realidade cotidiana, através de esquetes dramáticas, abordando determinado tema, proporcionando condições subjetivas e objetivas para que pessoas da platéia possam entrar na cena dramática para criar uma nova ação que transforme a opressão ali vivenciada, criando alternativas de libertação para os oprimidos.
O teatro do oprimido mostrou-se mais uma potente ferramenta pedagógica para a educação popular contribuir com o fortalecimento das lutas sociais e transformação da realidade de opressão.

Inácio da Silva
Escola da Cidadania do Instituto Pólis
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