FSM 2009: a crise urbana está no coração da crise financeira global
A movimentação nas ruas e avenidas de Belém e o ir e vir da multidão nos territórios do Fórum Social Mundial 2009, mostram que as atividades de fato começaram. Em entrevista realizada com o geógrafo David Harvey, foi possível discutir as dinâmicas que conectam a atual crise financeira global e a crise urbana, que afeta principalmente os grupos mais pobres e vulneráveis que vivem nas cidades. A entrevista realizada pelos pesquisadores do Pólis (que será disseminada em breve), discute o fenômeno da urbanização socialmente desigual e territorialmente excludente. Este modelo viabiliza a formação e reprodução do capital em detrimento dos direitos sociais, em especial do direito à cidade.
De certa maneira, as análises e percepções de Harvey, ressoaram nos relatos e discussões sobre os despejos conduzidos pela Alianza Internacional de Habitantes (AIH). Esses relatos, recheados com números que chegam a milhões de pessoas e famílias expulsas das suas moradias, foram feitos por pessoas de diferentes organizações da Tailândia, México, Brasil, Zimbabwe, entre outros países.
Ficou clara a universalização crescente das pautas relativas aos despejos forçados no mundo. É nítido também que as crises globais vão agravar as ocorrências desses despejos a partir das ações de Estados e agentes econômicos.
Yves Cabannes, membro de uma força tarefa internacional da ONU voltada para enfrentar a violência dos despejos forçados, deixou uma mensagem cristalina. A terra- mercadoria, base de formação e expansão do capital, interdita a terra-direito, cujo acesso adequado pode viabilizar a efetivação de um conjunto de direitos sociais e à cidade.
A mundialização das desocupações forçadas demanda articulações e alianças globais voltadas para o enfrentamento desses problemas que muitas vezes resultam em tragédias. Para Cabannes, alianças estratégicas e políticas públicas são necessárias para a promoção e regulação do acesso à terra na perspectiva do fortalecimento e garantia dos direitos sociais e à cidade. A resistência é parte importante da luta por essas políticas.
*Kazuo Nakano é pesquisador da área de urbanismo do Pólis

A abertura da Tenda da Reforma Urbana nesta quarta, 28 de janeiro, foi marcada pelo debate sobre cidades sustentáveis do Amazonas. Movimentos por moradia de toda América Latina acompanharam apresentações elaboradas por integrantes e colaboradores do Fórum de Reforma Urbana da Amazônia Oriental (FAOR).
A forte chuva que atingiu Belém na tarde desta terça, 27 de janeiro, não impediu que cerca de 80 mil pessoas participassem da marcha que abriu oficialmente as atividades da 8a edição do Fórum Social Mundial. A diversidade foi marca registrada da grande caminhada. Gente de todo o planeta, mas principalmente os cidadãos e cidadãs de Belém ocuparam as ruas da cidade. Simbolicamente, no início da marcha, uma celebração afro-religiosa, realizada por participantes africanos, marcou a passagem do Fórum da África, ocorrido em 2007 no Quênia, para o Fórum amazônico, que foi recebido pelos povos indígenas. Segundo os organizadores do ato, ele representa as boas vindas dos habitantes da Amazônia aos africanos e a passagem do espírito do último FSM centralizado, em Nairobi, para a cidade de Belém, representando toda a Pan-Amazônia. 
A 8a edição do Fórum Social Mundial começa nesta terça, 27 de janeiro, mas a agitação política em Belém já teve início no último final de semana. Os primeiros módulos da exposição itinerante do projeto
O depoimento da moradora e presidente da associação de moradores
O Pólis já está preparado para a 8a edição do Fórum Social Mundial, que começa nesta segunda, dia 26. Oficinas, debates, mesas de diálogo foram propostas como a Exposição e Oficina Moradia é Central e Direito a Cidade, que será realizada na Tenda da Reforma Urbana; a mesa de diálogo Le Monde Diplomatique Brasil a radicalização da democracia e a comunicação de massas; e o debate Pontos de Cultura: Políticas Públicas e Cidadania Cultural. Além disso, o Pólis está envolvido em diversas outras atividades, por meio de sua atuação com redes, movimentos e articulações.