O Instituto Pólis é uma ONG (Organização Não Governamental) de atuação nacional e internacional. Fundado em 1987, o Pólis atua na construção de cidades justas, sustentáveis e democráticas, por meio de pesquisas, assessoria e formação que resultem em mais políticas públicas e no avanço do desenvolvimento local.

Saúde das mulheres negras e perfil da juventude brasileira são refletidos em formação

Cidadania Cultural, Juventudes, Cineclube e Mídias, Formação, Democracia e Participação, Convivência e Paz
13 de Abril de 2015

No dia 09 de março, dando continuidade à formação teórica do eixo de Políticas Públicas de Cultura, Juventudes e Território, os/as jovens monitores/as culturais do Programa Jovem Monitor/a Cultural (PJMC) desenvolvido pelo Instituto Pólis participaram de duas rodas de conversa sobre a construção da saúde da mulher e a participação política e acesso da juventude à cultura, lazer e meios de informação e comunicação.

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, as integrantes da Capulanas Cia. de Arte Negra, Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia Rosa e Priscila Preta Obaci, estiveram presentes no período da manhã trazendo as experiências sobre o processo de criação do grupo.

Foi exibido o documentário “Sangoma”, que reflete sobre as diversas violências sofridas pelas mulheres negras, assim como suas estratégias de libertação, tendo como base espetáculo homônimo. Após a exibição foi discutida a temática a partir das perguntas, observações e comentários dos/as jovens monitores/as.

“O documentário faz parte da pesquisa para a peça ‘Sangoma’. Nesse material, coletamos depoimentos e tentamos mostrar o quanto anda a questão da saúde nas instituições públicas e o quanto o processo racismo adoece o físico, o emocional, o psicológico e o espiritual da população negra”, conta Adriana Paixão.

Para Priscila Preta Obaci, é difícil produzir arte e cultura negra em uma sociedade que, segundo ela, vive um “grande boom” de intolerância religiosa. “A intolerância religiosa é mais um dos mecanismos do racismo, de demonizar nossas formas de manifestar a nossa fé. Isso se reflete em nossas práticas artísticas”.

Agenda Juventude Brasil

Já no período da tarde os/as jovens participaram de outra roda de conversa a partir dos dados da Pesquisa Agenda Juventude Brasil apresentados por Anna Luiza Salles Souto, coordenadora de Juventudes do Instituto Pólis. A pesquisa, iniciativa da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), foi realizada em 2013 e revela o perfil da juventude no que toca a cor/raça, religiosidade, escolaridade, percepção sobre a participação política, uso do tempo livre, etc.

De acordo com a pesquisa, no que concerne à distribuição por local de moradia, 85% dos/as jovens moram na área urbana e 15% na rural. Sobre atividades de lazer e entretenimento aos finais de semana, 19% dos moradores/as das capitais e 9% do interior se dedicam a atividades culturais. Ainda sobre essa questão, 50% das mulheres e 39% dos homens têm por hábito realizar atividades dentro de casa nos finais de semana.

Também foram discutidos os motivos que fazem com que os jovens de hoje se sintam mais capazes de transformar o mundo do que há 10 anos. Dentre as hipóteses estão o aumento das políticas públicas para a juventude, o acesso aos meios de informação e o estímulo à experimentação. Um dos dados da pesquisa apontou que 54% dos/as jovens acham a política muito importante. Para Anna Luiza, o encontro serviu para ouvir os/as jovens sobre os dados apresentados. “A ideia dessa oficina não foi trazer dados com uma leitura pronta e apresentar o olhar dos especialistas, mas trazer os dados brutos e debater sobre eles. Os monitores são a nova geração, a pesquisa fala sobre eles e com eles. Muitas vezes ao se apresentar pesquisas sobre a juventude, pouco se pede a opinião dos jovens a respeito dos dados que falam da sua geração. Quisemos romper com isso e abrir espaço para eles fazerem a leitura dos resultados dessa pesquisa”.

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