As reuniões são preparatórias para a conferência Habitat III
A adoção do Direito à Cidade na Nova Agenda Urbana foi defendida em todas as reuniões de consulta publica preparatória para a Habitat III (Terceira Conferência das Nações Unidas para Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável), que aconteceram nos dias 6 e 7 de junho (ONU, Nova York).
Ontem (8) iniciou-se a rodada de negociações intergovernamentais informais da Nova Agenda Urbana, na qual representantes da maioria dos países estiveram presentes, tendo o Mexico e as Filipinas confirmados como co-facilitadores da negociação.
Segundo Nelson Saule (Instituto Pólis), o governo brasileiro fez um pronunciamento em defesa do Direito à Cidade. A tendência no G 77 é manter a redação do parágrafo 4 da Declaração de Quito “Comprometemo-nos a realização do conceito de cidades para todos, que em alguns países é definido como Direito à Cidade”.
Declaração sobre a Reunião Regional Europeia da Plataforma Global pelo Direito à Cidade
Edifício Histórico da Universidade de Barcelona
2 e 3 de abril de 2016
A Reunião Regional Europeia da Plataforma Global pelo Direito à Cidade (GPR2C, em sua sigla em inglês) foi realizada em 2 e 3 de abril de 2016 em Barcelona, Espanha, reunindo 82 participantes de 19 países – Alemanha, Bélgica , Brasil, Canadá, Croácia, Espanha, França, Gana, Grécia, Itália, Marrocos, México, Montenegro, Portugal, Reino Unido, Sérvia, Suíça, Taiwan e Tunísia – todos oriundos de diferentes áreas de trabalho – representantes de movimentos sociais, defensores dos direitos humanos, organizações não-governamentais, acadêmicos, setor público, fundações e organizações internacionais, entre outros.
Esta é a segunda reunião regional organizada pela Plataforma, que oferece uma excelente oportunidade para promover o diálogo, a cooperação e a coordenação entre as organizações que trabalham para o direito à cidade na região, através da troca de informações, definindo objetivos comuns e os primeiros passos para uma estratégia comum na região.
Durante o evento da Plataforma Global pelo Direito à Cidade, também foram apresentados os seus princípios, objetivos e ações, a fim de fortalecer as alianças regionais e convidar novas organizações para se juntarem à causa.
A reunião também incentivou o debate sobre o significado do direito à cidade na região, as diferentes maneiras de promover o intercâmbio de experiências sobre o direito à cidade, o processo do Habitat III e a inclusão do direito à cidade na Nova Agenda Urbana e nas políticas públicas regionais.
A fim de discutir o conceito do direito à cidade na região, vários grupos de trabalho foram formados para discutir os seguintes tópicos:
1) A democracia, a cidade e os habitantes; auto-gestão e espaços autônomos;
2) Financiamento / privatização da habitação social / público e espaços públicos;
3) O direito à moradia e o direito à cidade; os serviços públicos;
4) Cidades Competitivas vs. cidades solidárias; a economia social e trabalhadores informais;
2) Formas de expulsão e despejos, repressão, refugiados e migrantes;
3) Os sistemas alimentares da cidade-região e as relações urbana e rural, no coração do direito à cidade.
Entre as lições aprendidas a partir destes debates, destaca-se a riqueza e variedade de iniciativas existentes na região, devido à sua diversidade social, política, cultural e linguística. Por exemplo, como se explica a pesquisa “Avanço na implementação do direito à cidade na América Latina e internacionalmente (em espanhol)”, na Europa, podemos encontrar três conceitos diferentes: “Os direitos humanos na cidade”, “direitos das cidades” e “direito à cidade”. Os participantes chegaram ao acordo sobre alguns pontos comuns como a compreensão do direito à cidade como um novo direito coletivo para um novo modelo de cidade, e a cidade como um bem comum. Agora, o desafio é criar um entendimento comum sobre este conceito e conectar essas ações concretas com lutas globais para o direito à cidade.
Deste encontro surgiram muitas estratégias, como a coordenação das diferentes lutas contra as violações do direito à moradia e à cidade (gentrificação, a privatização da habitação social / público e espaços públicos, falta de moradia, despejos, segregação etc); e a promoção de iniciativas populares de leis, da economia social, e formação de funcionários públicos, entre muitos outros.
Evento organizado pelo Instituto Pólis em parceria com a Plataforma Global pelo Direito à Cidade, o Escritório Modelo da PUC SP “Dom Paulo Evaristo Arns”, o Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU), o Fórum Nacional pela Reforma Urbana (FNRU) e o Núcleo de Direito à Cidade da Faculdade de Direito da USP.
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A Avenida Paulista, símbolo da apropriação do espaço público desde que passou a ser aberta aos domingos, cedeu espaço para a aula pública “Conversas de Rua: O Direito à Cidade”. O evento aconteceu domingo, 28 de fevereiro, às 10h, organizado pelo Instituto Pólis em parceria com a Plataforma Global pelo Direito à Cidade, o Escritório Modelo da PUC SP “Dom Paulo Evaristo Arns”, o Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU), o Fórum Nacional pela Reforma Urbana (FNRU) e o Núcleo de Direito à Cidade da Faculdade de Direito da USP.
A abertura foi feita por Stacy Torres, advogada do Instituto Pólis, e Henrique Frota, secretário executivo do IBDU. Estavam presentes a União dos Movimentos de Moradia de São Paulo, Associação dos Trabalhadores Sem Teto, e representantes de diversos outros movimentos sociais que fizeram falas durante a aula.
O hip hop teve destaque: MC Mano Réu e Jader Oliveira abriram a aula com um rap que tratou de temas como o genocídio da população negra e pobre no Brasil e a violência praticada pelo Estado. Além deles, o grupo de dança Identidade em Movimento fez da Paulista palco para apresentações e batalhas de breaking.
Durante o evento foi exibida a Campanha Jovem Negro Vivo, da Anistia Internacional Brasil, que expõe dados relacionados à violência contra o jovem. No país, 30.000 jovens são assassinados por ano, sendo que 77% destes são negros.
Celeste Melão, coordenadora do Escritório Modelo da PUC-SP, discutiu a cidadania nas cidades abordando as pautas de estrutura básica, desagregação, alteridade e cultura do descarte de crianças, idosos e jovens. Os estudantes integrantes do Núcleo de Direito à Cidade da Faculdade de Direito da USP relataram a experiência de acompanhamento em escolas de Paraisópolis durante as ocupações.
Martha Lemos e Altair Moreira, coordenadora pedagógica do Programa Jovem Monitor Cultural e consultor da área de Cultura do Instituto, destacaram a importância de ocupar o espaço urbano de maneira criativa, como fazem os Ciclistas Bonequeiros, grupo que utiliza a bicicleta como disseminadora de arte. Os artistas tem como objetivo, além de divertir e interagir o público, trazer uma consciência urbana por espaço público como ambiente de cultura.
Durante a aula pública foi abordado como se dão as relações das minorias socias e o espaço urbano. A questão LGBT foi posta em pauta por Danna Lisboa. A dançarina falou sobre a transsexualidade no espaço público e finalizou sua apresentação com a performance “Cidade à Vista”.
A assessora de programas da ActionAid Gabriela Pinto questionou a segurança da cidade para mulheres. Segundo Gabriela, as mulheres têm seu direito à cidade negado, uma vez que o espaço público é um ambiente hostil a elas.
Alguns representantes de organizações e movimentos sociais levantaram dados referentes a transporte e direito à moradia. Estiveram presentes Nazareno Affonso, do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos (MDT), Donizete Fernandes, da União Nacional dos Movimentos de Moradia Popular, Lígia Melo, do IBDU e Ezequiel Moraes, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia. Nelson Saule Jr., coordenador da área de Direito à Cidade do Instituto Pólis, pontuou a necessidade de ocuparmos, usarmos e produzirmos a cidade.
Ao final do evento, os Ciclistas Bonequeiros, que promovem reflexões sobre questões de mobilidade urbana e direito à cidade por meio do humor em espaços públicos, distinguiram por meio de uma performance os verbos “invadir” e “ocupar”. “Invadir espaços é crime, ocupar a cidade é uma necessidade”, afirmaram. Com a performance, os artistas representaram as escolhas, semânticas, e, principalmente, políticas, que a mídia e as pessoas em geral utilizam para desqualificar ou qualificar as ações da sociedade e dos movimentos sociais.
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Fotos: Nathalia Parra (Equipe de Comunicação/Instituto Pólis)
Redes e organizações sociais promovem debate na Avenida Paulista
Neste domingo, 28 de fevereiro, a Avenida Paulista será palco da aula pública Conversas de rua: O Direito à Cidade. A ideia é criar um espaço de diálogo, ocupação da cidade e expressão cultural. O evento é realizado pelo Instituto Pólis em parceria com a Plataforma Global pelo Direito à Cidade, o Escritório Modelo da PUC SP “Dom Paulo Evaristo Arns”, o Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU), o Fórum Nacional pela Reforma Urbana (FNRU) e o Núcleo de Direito à Cidade da Faculdade de Direito da USP.
Para Nelson Saule Júnior, coordenador geral do Pólis e membro da Plataforma Global, a Paulista foi escolhida por, hoje, ser símbolo da apropriação do espaço público desde que passou a ser aberta aos domingos, para estimular atividades de lazer. “O objetivo da aula é aproveitar esse clima para tornar pública e participativa a compreensão do que é o direito à cidade, dentro de dimensões como de cidadania e função social do território. É uma maneira de pensar a rua como um espaço de educação e direitos”.
A aula pública acontece um dia antes do Encontro Rumo à Conferência Habitat III, realizado pelo Ministério das Cidades, em São Paulo, para alinhar as expectativas dos movimentos sociais brasileiros para a reunião das Nações Unidas. Nos dias anteriores, acontecem também as assembleias do FNRU, do IBDU e da Plataforma Global. Em razão dessa agenda, diversas organizações e movimentos sociais do Brasil e do mundo estarão na cidade e participarão da aula.
O Direito à Cidade
O Direito à Cidade supõe a conquista de uma série de direitos relacionados ao usufruto das cidades: o direito ao trabalho em condições equitativas e satisfatórias; de fundar e afiliar-se a sindicatos; de acesso à seguridade social e à saúde pública; de alimentação, vestuário e moradia adequados; de acesso à água potável, à energia elétrica, ao transporte e outros serviços sociais; a uma educação pública de qualidade; à cultura e à informação; à participação política e ao acesso à justiça; ao reconhecimento do direito de organização, reunião e manifestação; à segurança pública e à convivência pacífica. Inclui o respeito às minorias e à pluralidade étnica, racial, sexual e cultural, e o respeito aos migrantes.
O Direito à Cidade deve assegurar também o direito ao desenvolvimento, a um meio ambiente sadio, ao desfrute e preservação dos recursos naturais, à participação no planejamento e gestão urbanos e à herança histórica e cultura
Serviço:
Aula Pública – Conversas de rua: O Direito à Cidade
Local: Avenida Paulista (esquina com a Alameda Campinas), São Paulo/SP
Alfaias, agogô, xequerê, djembê, dança e, inclusive, perna de pau: naipes, esses, que constituem o Bloco Afro Ilú Obá de Min. Seu sonoro nome significa “As mãos femininas que tocam tambor para o rei Xangô”.
O Bloco existe desde 2004 e é formado por mulheres. Nas tradições de matriz africana, o tocar tambor é um papel essencialmente masculino. Assim, o Ilú propõe uma subversão ao reunir centenas de mulheres nas ruas dominando seus tambores.
O grupo é formado por cerca de 200 mulheres na percussão, sem contar as que integram a dança e o canto. São seis meses de preparo e ensaios até a sexta-feira de carnaval, que é quando o Bloco ocupa a cidade com figurino elaborados, espetáculos pirotécnicos e ritmos da cultura afro-brasileira.
Wanda Martins, coordenadora financeira do Bloco e integrante da equipe de Cultura do Instituto Pólis, explica que o grupo possui três vertentes de atuação: o empoderamento feminino com recorte de raça, a ocupação do espaço público e o combate à intolerância religiosa.
Para Andreia Alves, bailarina do grupo desde 2006 e também parte da equipe de Cultura do Pólis, o mais fascinante do Ilú é a energia feminina em massa. Segundo a bailarina, o Bloco faz parte de um processo educativo ao disseminar a cultura negra na tentativa de desconstrução do racismo.
A cada ano o grupo exalta mulheres negras: 2015 foi o ano de Carolina de Jesus, escritora, compositora e ativista brasileira. Em 2016, a homenageada é Elza Soares. A cantora, que recentemente lançou seu álbum “A Mulher do Fim do Mundo”, fará um show de abertura do carnaval Ilú Obá de Min, nesta sexta-feira, dia 5, na Praça da República.
Após o show, o Bloco fará um cortejo partindo da Praça da República até a Praça das Artes. A concentração para o evento será às 19h30. No entanto, a programação do grupo para o carnaval não para por aí: os outros dias de apresentação podem ser conferidos na página do Facebook do grupo.
O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas elaborou a quarta versão do Dossiê Megaeventos e Direitos Humanos no Rio de Janeiro. Lançado em novembro de 2015, o documento é resultado da discussão de estratégias para a construção de uma cidade para todos indivíduos, com justiça social e democracia.
O relatório mostra que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, anunciados como “Jogos das Inclusões”, não condiz com tal ideia. Remoções de famílias, má distribuição de investimentos em transporte público e aumento do número de mortes e encarceramento da população negra e pobre perto de Megaeventos são algumas das práticas que caracterizam o que é chamado pelo Comitê Popular de “Jogos da Exclusão”.
A primeira versão do dossiê foi lançada em março de 2012 e delineava situações de violação dos direitos humanos relacionadas à Copa do Mundo de 2014. A última edição do relatório, ao resgatar dados antigos e atualizá-los, revela que, desde então, o cenário de violação não foi superado: pelo contrário, se agravou.
O relatório perpassa análises de temáticas que se conectam diretamente aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, como militarização da cidade, exploração sexual, falta de transparência no orçamento do evento, condições trabalhistas e questão ambiental, além de ser um importante documento na luta pelo Direito à Cidade.
O Comitê Popular propõe demandas concretas para que o conceito de inclusão de democracia façam parte da Olimpíada. As propostas consistem no fim dos despejo de comunidades, no fim da perseguição aos camelôs e à população em situação de rua, na democratização do Maracanã, no reflorestamento da APA de Marapendi, entre outras reivindicações.
Como proposta de vivência de um novo paradigma de mobilidade, o Instituto Pólis, por meio do programa de formação Jovem Monitor Cultural , realizou dia 21 de setembro uma pedalada pelas ciclovias do centro da cidade de São Paulo. Durante o percurso, os/as jovens do Programa participaram de debates sobre mobilidade urbana e direito à cidade com cicloativistas e outros especialistas. Confira o percurso,Ciclovias, Cidadania, Direito à Cidade, Espaço Público, Juventude, Mobilidade Urbana, Políticas Públicas Juventude, Programa Jovem Monitor Cultural – PJMC, Vídeos,Equipe do Programa Jovem Monitor Cultural, Instituto Pólis,
Organizado pelo GESP e pelo Programa de Pós Graduação em Geografia Humana, com coparticipação do Instituto de Estudos Avançados da USP, o Seminário Internacional conta com o apoio do Departamento de Geografia da USP, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP), da FAPESP e da CAPES. Dentre as atividade podemos contar com:
Duas conferências:
a conferência de abertura, “La justice spatiale, expériences et pistes de recherche”, proferida pelo Prof. Dr.Philippe Gervais-Lambony, coordenador da revista Justice spatiale/spatial justice, da Université de Paris Ouest Nanterre la Défense (França); e
a conferência de encerramento, a ser proferida pela professora Nuria Benach, da Universitat de Barcelona (Espanha);
Cinco mesas redondas e quatro sessões temáticas, contemplando temas que perpassam as reflexões em torno da temática da Justiça Espacial e o Direito à Cidade, sendo:
a crise urbana e a reprodução do econômico;
a segregação socioespacial e o direito à cidade;
as formas de resistência e a luta pelo urbano;
as políticas públicas e a justiça espacial; e
a justiça espacial e justiça ambiental na cidade.
Das mesas redondas, contabilizando um total de 20 trabalhos, participarão somente convidados. Dentre estes podemos contar com pesquisadores estrangeiros e brasileiros de outras instituições, participantes de movimentos sociais urbanos e membros do GESP autores de capítulos do livro “Justiça espacial e o direito à cidade”, que está em preparação e com lançamento previsto para o período do evento.
Quatro sessões temáticas que contarão com 35 trabalhos selecionados pela comissão científica e alguns painéis. O seminário envolverá no conjunto de suas atividades pesquisadores das áreas de sociologia, arquitetura, engenharia, direito, antropologia, geografia e filosofia.
Convidados:
Núria Benach (Universidade de Barcelona – Espanha); Philippe Gervais-Lambony (Universidade de Paris/Nanterre – França); Alysson Mascaro (Faculdade de Direito – USP); Análida Rincón Patiño (Universidad Nacional de Colombia – Medellín); Ângelo Serpa (UFBA); Arlete M. Rodrigues (Unicamp); Blanca Ramires (Universidad Autónoma Metropolitana-Xochimilco – México); Cibele Rizek (IA-USP); Edvânia Tôrres Gomes (UFPE); Francisco Comaru (UFABC); Guilherme Boulos (MTST); Jorge Luis Barbosa (UFF); Naxheli Ruiz (UNAM); Paul van der Lindert (Utrecht University – Holanda).
Onde:
São Paulo – 7 a 10 de dezembro de 2015
Auditório Nicolau Sevcenko – Prédio de Geografia e História da USP
Avenida Professor Lineu Prestes, 338 – Cidade Universitária, São Paulo-SP
Habitat International Coalition, Habitat para Humanidade,TETO internacional,Clacso, Habitajes e Instituto Pólis, integrantes da GPR2C (sigla en inglês para Plataforma Global pelo Direito à Cidade), lançaram a Campanha “Não é uma cidade, se não for para todxs” que tem por objetivo convidar as e os jovens a participar na construção da Nova Agenda Urbana, a um ano da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III).
A campanha é parte de um esforço da Plataforma Global pelo Direito à Cidade e irá incluir várias atividades ao longo do ano, a fim de que as propostas dos cidadãos sejam levadas em conta.
Uma dos cinco megacidades latino-americanas- México, DF foi escolhida como o local de lançamento da campanha, cunhada nos princípios do Direito à Cidade, “Não é uma cidade, se não fora para todxs”. A iniciativa está sendo liderada pelas organizações internacionais Habitat International Coalition (HIC), Habitat para a Humanidade, TETO internacional, Clacso e Instituto Pólis. A proposta é uma chamada à juventude para incentivar a sua participação na definição da Nova Agenda Urbana, que será consolidada com a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III).
A coalizão de organizações, que assim como muitas outras ao redor do mundo integram a base da Plataforma Global pelo Direito à Cidade, apontando para incluir amplamente as pessoas em discussões sobre o futuro da vida urbana e até mesmo a vida rural. Para participar, aprender, pensar, trabalhar, e fornecer experiências alternativas para alcançar sociedades mais inclusivas.
Além disso, a aliança pretende posicionar o direito à cidade e todos os seus princípios como componentes fundamentais da agenda no processo da Habitat III. “É o direito de transformar e opor-se à cidade neoliberal em que a grande maioria vive para torná-la nossa, para vivê-la e apreciá-la plenamente. É uma lei que coloca no centro o ser humano e a natureza. Como a grande maioria dos direitos humanos, é um conceito que alimenta lutas, demandas, propostas e projetos de quem vive e transita. O direito à cidade é um direito seu, é um direito de todxs”, disse María Silvia Emanuelli, coordenador do escritório para a América Latina da Habitat International Coalition e da Plataforma Global pelo Direito à Cidade.
Os desafios das cidades latino-americanas
Para lançar a campanha, as organizações apresentaram um diagnóstico detalhando os desafios da agenda latino-americana na Conferência da ONU. Pela primeira vez, uma capital da América Latina será sede da conferência, uma vez que o evento ocorrerá em Quito, no Equador, em outubro de 2016. As edições anteriores foram em Vancouver (1976) e Istambul (1996).
O documento, intitulado “Os princípios do Direito à Cidade”, marca os seis desafios para alcançar uma agenda urbana mais coletiva, representativa e inclusiva. Isso em uma região onde 80% da população vive em áreas urbanas e se tornou a mais desigual do mundo.
“A desigualdade nas cidades latino-americanos se reflete na falta de segurança no local de onde se vive. Muitas famílias só podem construir suas casas em lugares com alto risco de inundações, deslizamentos de terra e outros eventos. São as populações mais vulneráveis, como as mulheres, que foram segregadas direta ou indiretamente de nossas cidades, e isso deve mudar se queremos uma sociedade justa e equitativa “, diz Mónica Ramírez Londoño, Diretora da Habitação e Assentamentos Humanos e representante da Habitat para a Humanidade Internacional, América Latina e Caribe.
Enquanto isso, Agustín Algorta, diretor de organizações sociais da TETO sociais, destaca as consequências do crescimento dentro das cidades latino-americanas – hoje, cinco delas são consideradas megacidades por possuírem áreas de mais de 10 milhões de pessoas concentradas em um território. “Nos últimos anos, os processo de urbanização não foram apenas rápidos, mas completamente descontrolados. Nós, os jovens, recebemos cidades estamos segregadas, desconectadas e controladas por aquilo que podemos consumir. No entanto, hoje temos uma capacidade única de mudar e impacto sobre a agenda urbana para transformar as cidades em que todxs viverão os próximos 20 anos e que o crescimento ou alterações terão em conta os nossos desejos, nossa opinião e o nosso trabalho “, argumentou.
Para lançar a campanha, ocorreu uma intervenção urbana em torno do Monumento da Revolução, área emblemática da Cidade do México. A atividade será replicada em diferentes cidades deste país e em outros da América Latina durante o ano para gerar um diálogo direto com as e os jovens da região.
O lançamento da campanha coincide com o Dia Mundial das Cidades, que é comemorado a cada 31 de outubro pela Organização das Nações Unidas. Este ano, o slogan da ONU foi “Desenhada para viver em união”, tendo o propósito de chamar as cidadãs e os cidadãos para se envolverem nos novos desafios que as cidades de hoje têm, numa área em que vive 50% da população de acordo com números oficiais do ONU-Habitat .
Alguns números sobre os problemas em cidades latino-americanas:
– 80% da população da América Latina vive em áreas urbanas (ONU-Habitat). Ela permanece como a região mais urbanizada do mundo e das mais desiguais (figura?).
– 1 em cada 4 pessoas vivem em assentamentos informais na América Latina, que são cerca de 113 milhões de pessoas em áreas urbanas (ONU-Habitat).
– A América Latina concentra o país mais pobre do hemisfério ocidental e -Haiti- primeira fortuna do mundo (Forbes) vive no México. De acordo com estimativas do coeficiente de Gini, que é a região mais desigual do mundo.
– A Colômbia é o segundo país com as pessoas deslocados internamente em todo o mundo, depois da Síria, com 6,044,200 pessoas, o equivalente a 12,3% de sua população (Internal Displacement Monitoring Centre).
POR QUE NÃO ALCANÇAMOS CIDADES DE TODXS PARA TODXS?
Não há pleno exercício da democracia, que permite a construção de condições de bem-estar coletivo com dignidade, equidade e justiça social.
Não temos a função social da cidade, terra e propriedade, para garantir a igualdade de gozo dos bens, serviços e oportunidades que a cidade oferece.
Precisamos chegar a uma verdadeira gestão democrática da cidade, para fortalecer os espaços institucionalizados de tomada de decisão e não apenas os cidadãos espaços consultivos.
Há dificuldades para em direção à produção democrática da cidade e na cidade, o que contribui para promover e apoiar a produção social do habitat e as atividades econômicas solidárias.
Não chegamos a uma gestão sustentável e responsável dos bens naturais, patrimoniais e energéticos comuns da cidade, para garantir o acesso à moradia adequada e regular o impacto da atividade humana sobre a cidade.
Não chegamos a uma apreciação equitativa e democrática da cidade. Se nossas cidades são verdadeiramente inclusivas, devem fortalecer a convivência social,, recuperação, ampliação, melhoria e cuidados de público e aberto a todas e todos.
Campanha nas redes
Site oficial: www.unaciudadparatodxs.org
Hashtag para redes: #DireitoàCidade – #Righ2CityGP